planetário

O céu salpicado com pontos brilhantes feitos cidades perdidas em desertos vistas sob a altura do balão que mais alto consegue voar.

“Será que na China tem mais postes que estrelas no céu?”, se questiona com vergonha de si. Acha graça e ensaia um sorriso que logo se esconde, solitário. Não há brisa, nem ruídos, apenas uma negritude intensa com fendas brilhantes sobre sua cabeça. A Via Láctea contorna, qual um anel pela metade, uma ponta à outra manchando o céu com seu rastro de poeira de giz caucasiana.

“Sarah!”, grita uma voz do outro lado. Finge que não escuta permanecendo calada. As mãos dobradas, entrelaçadas nos dedos, sobre a barriga. No centro delas, se modela um orifício à espera de um arranjo de flores ou um buquê, como as bonecas e seus encaixes perfeitos para utensílios domésticos: vassouras, frigideiras, espanadores.

Num estalo, as luzes todas se apagam de uma só vez, deixando-a invisível.

“Vem, filha!” O pai abre a porta, permitindo que penetre um feixe de luz pelo globo até atingir a superfície na qual ela, ainda deitada, esperava.

“Posso ver mais um pouquinho?”

“Amanhã, meu anjo…”, tomando-lhe as mãos para, juntos, atravessarem o céu sem estrelas do lado de fora.

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